Meu Padrinho

(Cordel Padrinho)




Quem nunca andou de carro popular.
A mode preste atenção na minha história.
Que agora vou contar.
Meu primeiro emprego foi na Souza Cruz.
A mode saía de farda engomada, lavada e passada por mamãe.
Saía dirigindo o carro sempre fardado.
Entregando pacote de cigarro.
Inté morei na Cidade Baixa.
A depois fui para Periperi.
Mai meu baba e minha cerveja
começava na noite de sexta-feira.
No fim de semana.
Comia inté buchada de bode e mocotó.
E corria pra casa de Neide quando o estômago dava nó.
A depois de algum tempo, tive meu segundo emprego.
Foi na Merck Sharp e Dohme.
Da donde saía de carro muito bem trajado.
De pasta de baixo do braço.
Visitando os consultórios médicos.
Passando os remédios, amostra pra cá, amostra pra lá.
Inté pra minha cumade tive de arranjar.
Já que o marido da cumade era mão de vaca e nada de arranjar.
E quando dava um remédio era errado
tanto pus filhos quanto pra mulher.
Ai meu Deus do céu esse homem quer matar a mulher.
E que vai ser difícil de matar.
Essa mulher que macho nenhum vi dobrar.
Inté que um dia não se agüentou e desse homem se separou.
Meu cumpade discarado inté outra mulher arranjou.
Minha cumade inté nos nervos ficou.
E eu tive que lhe arranjar remédio pra sanar a sua dor.
De tanto carregar sacola cheia de dor ficou.
Então ninguém resiste Arcoxia 60, 90, 120.
Mai a cumade comia tanta coisa que fez má pos estômago.
Quando foi ver era o tal do colesterol.
Então minha cumade mandava meu afilhado ligar.
Pra mode me pedi amostra pra dor passar
e o tal do colesterol baixar.
Tome Zocor, tome Ezetrol.
A depois de algum tempo de representante
passei a gerenciar uma equipe aqui, uma equipe lá.
Meu cumpade nesses anos que veio de passar.
Nem na Merck, nem na Lilly havia de está.
Não me pergunte que não sei dizer.
Da vida do outros não quero saber.
Na gerência viaja muito mais, Maceió,
Aracaju, inté Estados Unidos conheci.
Fui inté pra Cancun pra relaxar e trabalhar.
A depois de alguns anos inté me separei.
Nunca vivi de glória e nunca fui rei.
Mas sozinho pouco tempo passei.
Me aprumei com uma médica que cuida dos zóio.
De mim e inté do meu anzol.
Pra mode pescar e vermelho trazer.
Que me Bonja só tem peixe pra gente comer.
É no escabeche e no escabaixo.
Seja em cima ou embaixo.
É em Bonja onde me divirto e muita cerveja hei de tomar.
Eu e meu companheiro de mar.
Meu amigo Alvinho que também gosta de pescar.
Inté na minha vara já quis pegar.
Mas a mulher não há de deixar.
Que vara igual a essa só ela pode pegar.
Meus três filhos não tenho que me queixar.
Só a mais velha tive que me preocupar.
Que tomando cerveja meu bolso quis lascar.
Que no carnaval tomou sessenta quem pagou
o prejuízo mode aqui se apresenta.
Fernandinho pé de chinelo, que sessenta cervejas também quero.
Agora vou pescar com vosso amigo Paulo que
inté peixe pelas costas hei de puxar.
E meu amigo Alvinho no ovo guarda hei de pegar.
E no final do dia onde em Bonja se toma um banho por dia.
Iria de relaxar que mode outro dia ia de começar.








Fábio.H Viveiros
03/06/04

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